Ele trouxe a tona o meu Patriotismo adormecido, tanto pela correria do dia a dia, quanto pela acomodação e falta de envolvimento político.
Sou defensor da Educação como base política, não apenas Educação no sentido de Estudo, mas a Educação Cultural, Patriotista e etc. E para isso acontecer, realmente, só mudando todo o “Sistema”. O Sistema Ciclo, que torna as pessoas acomodadas e sem opinião. O Sistema Sujo, não preciso nem comentar.
Sai do filme com orgulho e esperança. Orgulho da Força e Coragem que teve José Padilha, de bater de frente com a estrutura atual do país, e que, com certeza, envolve muito mais do que aparece no filme. Orgulho de um filme Brasileiro com um enredo inteligente que nos prende, nos envolve.
Orgulho de termos dado um primeiro passo que pode trazer novas opiniões escondidas por medo ou qualquer outra coisa. De termos agora José Padilha, Diretor de cinema reconhecido, formador de opinião popular com os filmes, e da elite por sua posição social, como um possível precursor de alguma mudança. Não porque não tínhamos isso antes, mas o filme mostrou de forma mais direta e incisiva a realidade.
E a esperança, diminuída logo em seguida, é que o filme mexa com quem ele foi feito para mexer. Fazer com que a população enxergue melhor todo esquema desse sistema de merda. Onde as coisas não mudam não por falta de condições financeiras, que o problema é muito pior, e só mudará quando as bases mudarem. Quando a base política for trocada. Quando a base da população resolver ir atrás de seus direitos, resolver lutar e não submeter-se mais. Claro, se isso for interessante para ambas.
O triste é ver, assim que acabou o filme, as pessoas rirem e comentar apenas dos jargões, e das mortes e não da mensagem. Decepcionante também é saber que cinema não atinge ainda as tão faladas novas classes CD.
Agora, acho até que é uma visão um pouco inocente e superficial, pergunto:
- Quanto disso tudo já não estava preparado e amarrado no primeiro filme?
- Criaram o primeiro sanguinário, a policia acabando com o tráfico, o trafico sendo o problema da nação, dessa forma, como o filme mesmo fala, trazendo a população à seu lado pois é o que gostam, e agora, no segundo, batem de frente com a política, transparecendo em fatos quase reais o que acontece e a que estamos sujeitos?
- Será que o primeiro escapou mesmo à pirataria ou foram estratégias, mostrar que não tem como barrar nada hoje em dia, já pensando no segundo, e uma forma de divulgação?
- E o governo, não tinha força para barrar o filme nas vésperas das eleições? Como conseguiram isso? Será que também não foi um jogo político invertido? A proibição poderia ser pior? Ou um simples descaso com a inteligência social?
- E tudo o que deve ter sido cortado para ter um filme mais ameno?
Espero realmente que o filme alcance seus objetivos. Eu estou cansado de tanta política suja. De tanta falta de desenvolvimento por corrupção, por jogos imbecis de interesses. E o pior, hoje é tudo escancarado e burro. Uma política burra e arrogante.
Não votei na Marina Silva no primeiro turno, mas: Vamos ser mais um pelo Brasil que queremos.
Hoje está tão mais fácil. Você não precisa dar sua cara para mostrar sua opinião e influenciar. Hoje quase todos temos acesso a informações de maneira fácil e rápida.
A única coisa que me preocupa dentro do filme é a forma como desvalorizam a vida. Mortes e assassinatos de forma fria e objetiva. Não que não seja realmente assim, mas cria uma cultura, uma vivencia com essa naturalidade. E não é bem assim. Em nenhum momento é mostrado sentimento ou o desespero da perda. A morte é uma coisa simples. Acho que pela influência que um filme causa, isso deveria ter sido mostrado de outra maneira.
Fatos
- Uma equipe de efeitos especiais, com nomes de peso em Hollywood, como Bruno Van Zeebroek, de “Transformers”, William Boggs, de “Homem-aranha”, e Keith Woulard, de “O curioso caso de Benjamin Button”, “Independence day” e “Forrest Gump”, foi importada diretamente para o set de “Tropa 2″ a fim de dar maior veracidade às inúmeras sequências de ação do filme.
- O presídio de Bangu 1 foi reconstruído em seus mínimos detalhes num estúdio de mil metros quadrados, consumindo cerca de 15% do orçamento.
- Um grande trabalho de pesquisa, que teve como consultores Rodrigo Pimentel, o deputado estadual Marcelo Freixo, e a delegacia comandada pelo delegado Cláudio Ferraz, a DRACO (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado), foi realizado por quase dois anos antes de o roteiro de Mantovani e Padilha ganhar forma.
Frases
José Padilha (diretor):
- Em Tropa 2, eu não tentei produzir puro entretenimento.
- Tentei fazer um cinema que não faz inferências morais pelo espectador, que não lhe diz o que pensar e quando pensar.
- Objetivo foi o de gerar uma inquietação no espectador.

